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Após 2 mil anos de esquecimento, a “cidade perdida” criada por Alexandre, o Grande ressurge no Iraque: Alexandria do Tigre reaparece com muralhas intactas e revela um elo perdido entre Mesopotâmia, Golfo Pérsico e Índia

fev 04, 2026  João Batista  3 views
Após 2 mil anos de esquecimento, a “cidade perdida” criada por Alexandre, o Grande ressurge no Iraque: Alexandria do Tigre reaparece com muralhas intactas e revela um elo perdido entre Mesopotâmia, Golfo Pérsico e Índia

Escrito por
Ana Alice
https://clickpetroleoegas.com.br/

Arqueólogos identificaram no sul do Iraque as ruínas de uma antiga cidade portuária fundada no fim do século 4 a.C., durante as campanhas de Alexandre, o Grande. O local é associado em fontes históricas ao nome Alexandria do Tigre (ou Alexandria no Tigre) e permaneceu por séculos fora do foco das pesquisas arqueológicas sistemáticas.

Com a retomada dos estudos, o sítio voltou ao centro do debate acadêmico por seu papel nas redes de circulação de mercadorias que conectavam rios da Mesopotâmia às rotas marítimas do Golfo Pérsico. A análise das estruturas sugere uma ocupação planejada e integrada a fluxos comerciais de longa distância.

As ruínas foram localizadas em Jebel Khayyaber, no extremo sul do Iraque, próximo à fronteira com o Irã. A região reúne características naturais e históricas que, ao longo do século 20, dificultaram a realização de escavações contínuas e sistemáticas.

Pesquisas recentes indicam a existência de um centro urbano planejado, com sistemas defensivos bem definidos e vestígios de infraestrutura associados a atividades portuárias e de transporte. Esses elementos reforçam a interpretação de que o local teve função estratégica na Antiguidade.

Ruínas arqueológicas em Jebel Khayyaber
Atualmente, Jebel Khayyaber se apresenta como uma elevação discreta em meio à planície. No entanto, levantamentos arqueológicos mostram que o relevo encobre estruturas construídas de grande escala, incompatíveis com formações naturais.

Trabalhos retomados a partir de 2014 identificaram que parte dessa elevação corresponde a uma muralha com mais de um quilômetro de extensão, preservada em alguns trechos a vários metros de altura. A dimensão do sistema defensivo aponta para um assentamento urbano de porte considerável.

Segundo os pesquisadores envolvidos, a combinação entre muralhas extensas e organização interna do espaço indica planejamento prévio, característica recorrente em cidades fundadas ou reorganizadas durante o período helenístico.

Cidade portuária e rotas comerciais antigas
A localização atribuída à Alexandria do Tigre ajuda a explicar sua importância estratégica na Antiguidade, de acordo com análises arqueológicas e históricas. O sítio estaria posicionado em uma área que permitia a integração entre rotas fluviais do interior mesopotâmico e trajetos que levavam ao Golfo Pérsico.

Esse posicionamento teria facilitado o escoamento de produtos e a circulação de pessoas, elemento central para cidades com vocação portuária. Especialistas destacam que esse tipo de articulação era fundamental para o funcionamento das redes comerciais do período.

Essas redes dependiam de pontos intermediários capazes de concentrar, redistribuir e encaminhar mercadorias. Nesse contexto, a cidade teria operado como um entreposto regional, conectando áreas da Ásia Central e do subcontinente indiano, conforme indicam estudos comparativos sobre o comércio helenístico.

Charax Spasinou e o debate histórico
A identificação das ruínas em Jebel Khayyaber também se relaciona a um debate antigo sobre a localização de Charax Spasinou, cidade mencionada por autores clássicos. Parte da bibliografia associa Charax a um grande centro portuário no sul do Iraque, enquanto outros estudos indicam diferentes locais ao longo dos cursos fluviais da região.


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