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Brasileiros fazem fila em posto na Venezuela em busca de gasolina mais barata que no Brasil

fev 04, 2026  João Batista  5 views
Brasileiros fazem fila em posto na Venezuela em busca de gasolina mais barata que no Brasil

Escrito por
Romário Pereira de Carvalho
https://clickpetroleoegas.com.br/

Posto venezuelano vira atração para motoristas brasileiros e expõe contraste entre subsídio estatal, política energética venezuelana e preços atrelados ao mercado internacional no Brasil
Segunda um artigo do G1, motoristas brasileiros têm cruzado a fronteira em direção à Venezuela em busca de um alívio no bolso. Um posto de combustível localizado em Santa Elena de Uairén passou a vender gasolina a R$ 6,30 o litro nesta sexta-feira (30), valor R$ 1,50 inferior ao praticado em Pacaraima, no Norte de Roraima.

O movimento chamou atenção e levou o g1 a ouvir especialistas que acompanham de perto a dinâmica econômica entre os dois países.

A diferença expressiva de preços é resultado de um conjunto de fatores estruturais e políticos.

Posto venezuelano vira ponto de atração
A venda ocorre em um posto que conta com quatro bombas de abastecimento com o nome da PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela.

No dia da reabertura, o litro chegou a custar apenas R$ 3, valor quase três vezes menor que o cobrado em Pacaraima. Desde então, o local tem recebido brasileiros interessados em aproveitar a diferença de preços.

A Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do mundo e concentra cerca de 17% das reservas globais, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris.

Esse cenário ajuda a explicar por que o país consegue manter políticas de preços tão distintas das praticadas em outras nações.


Produção elevada e subsídio estatal
Segundo o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Roraima (Fecomércio), Fábio Martinez, dois fatores explicam o valor mais baixo do combustível: a alta produção de petróleo e o subsídio mantido pelo governo venezuelano.

Na prática, a PDVSA recebe incentivo governamental e vende gasolina a refinarias e distribuidoras por valores abaixo do mercado internacional.

Com isso, o custo menor na origem se reflete no preço final ao consumidor. Em outras palavras, o governo banca parte do valor da gasolina para mantê-la acessível.

“Antigamente, quando a Venezuela não passava por essa crise econômica, a gasolina lá era centavos de real. Com o passar do tempo, o subsídio foi diminuindo, mas existe ainda assim um forte subsídio por parte do governo venezuelano”, resumiu Martinez ao g1.

Peso político na definição de preços
O professor e pesquisador de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, João Jarochinski, acrescenta que o preço da gasolina na Venezuela segue parâmetros voltados ao mercado interno e possui peso político, associado ao discurso de soberania.

“O governo venezuelano mantém os preços domésticos em patamares inferiores aos praticados no mercado internacional, inclusive os que o próprio país utiliza na venda externa de petróleo e derivados”, afirmou ao g1.

A estratégia busca evitar que a gasolina atue como um vetor adicional de inflação em um país que enfrentou níveis inflacionários elevados nos últimos anos.

Mercado internacional e lógica brasileira
Enquanto a Venezuela ignora a cotação global, o Brasil adota política de preços baseada no mercado internacional.

De acordo com o advogado e mestre em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP), Victor Del Vecchio, o valor pago na bomba obedece à lógica de oferta e procura, considerando custos de produção, tributação e preço internacional do petróleo.

“No Brasil, apesar de termos robustos investimentos estatais na indústria do combustível, o preço segue parâmetros de mercado”, destacou ao g1.

No valor final estão embutidos impostos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Barato, mas instável
Del Vecchio pondera que, apesar do preço mais baixo na Venezuela, há problemas sérios de produção e distribuição local.

“É muito comum que postos fiquem dias sem combustível e, quando há reabastecimento, longas filas se formam”, explicou ao g1.

A Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima acompanha a reabertura do posto em Santa Elena de Uairén.

A expectativa é de continuidade no abastecimento, mas tudo depende das condições da estrada e da chegada regular de caminhões-tanque ao local, que vem despertando o interesse de motoristas brasileiros.

Com informações de G1.


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